terça-feira, 19 de abril de 2011

história.

- Vou-te contar uma história.
- Mãe, por favor! Já não tenho idade para isso…
- Tenho a certeza que para esta tu vais ter idade mais que suficiente…

Era uma vez, um casal de namorados. Conheciam-se á pouco tempo, mas mal se conheceram apaixonaram-se um pelo outro. Ele era tão bonito… era o rapaz ideal daquela rapariga. Namoraram durante uns meses, entretanto, essa rapariga descobriu que aquele que ela achava perfeito, único, o melhor namorado do mundo, lhe tinha traído. Numa situação daquelas, ela nunca soube o que fazer. Ele veio com todas as desculpas (como sempre)
– E sabes filha, nós mulheres, tendemos sempre a aceitar levar a primeira facada por amor.
Desculpou-o, e para ela foi como se nada tivesse acontecido. Continuaram a fazer as mesmas coisas juntos - passear, jantar fora, ele levava-lhe rosas de vez em quando e outras vezes chocolates, dos mais caros… para ela se sentir bastante amada.
– Os homens sempre foram assim, pelo menos na minha altura, achavam que por nos darem coisas caras, que nos íamos sentir muito mais amadas… estavam tão enganados!
Passaram-se meses, ela sempre soube que ele não a amava, que aquilo que os unia não era mais do que dois corpos e nunca dois corações. Mas ela sempre o amou, nunca foi capaz de acabar a relação, pensou sempre que iria ser infeliz por opção e que ali estava o homem da vida dela independentemente de haver amor ou não dele.
Todas as noites ela adormecia a pensar que ele era o homem da vida dela, mas que ela era só mais uma na vida dele.
A rapariga engravidou… ficou tão feliz, porque iria ter um filho do homem que amava! Quando ele soubesse… de certeza que iria gostar tanto dela, como ela dele.
Ela contou-lhe.
– Mãe… (esta já derramada em lágrimas)
– Filha, deixa-me acabar.
Ele não aceitou, e desapareceu…
A rapariga, durante toda a gravidez nunca soube ao certo o que fazer, e naquela altura teve uma filha e perguntavam constantemente quem era o pai e a rapariga respondia sempre:
 – Está a trabalhar longe.
E na verdade, ela nunca soube onde é que ele estava. Até hoje…

– Mãe…
– O teu pai sempre me mentiu, prometeu-me este mundo e o outro, pediu-me em casamento numa noite na praia, sozinhos. Sentia-me tão amada, e ao mesmo tempo tão ridícula por saber que aquilo nunca iria acontecer. Mas eu estava apaixonada… e amar é isto, perdes a cabeça por longos tempos, deixas de ouvir toda a gente à tua volta, porque pensas que ninguém percebe as tuas borboletas na barriga. Mas filha, amores… aparecem e desaparecem.

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